E o Gasparetto salvou minha vida
Lá estou eu. À tarde. Feriadão. Ligo a TV e vejo um senhor, falando a uma ex-apresentadora infantil que atende pelo nome de Marianne. Acabou de perder um irmão assassinado. É isso mesmo, trata-se de um programa sensacionalista. Pois bem. Em seguida, entra no estúdio a mãe dela. Uma senhora de olhos fundos, meia-idade (mais ou menos) e então, o programa se foca nela. Muito apegada à dor, com muita pena de si e culpa. Quer ter o filho de volta ainda que no resgate da angústia. E o apresentador primeiro a escuta. E depois, com muito cinismo, faz troça de seu estado, dizendo coisas do tipo: "olha que seu marido vai arranjar outra...homem não gosta de mulher coitadinha.."e eu lá. a uma altura dessas, era impossível mudar de canal. E continuou, mas desta vez falando de um amor libertário, sem apegos, que o filho, na outra dimensão onde estava, não poderia continuar vendo alguém tão querido em tal situação, que ninguém deve ter tanta pena de si mesmo, que isso é uma grande forma de egoísmo e que culpa é pretensão. -"Se você é modesta, então admita que fez o que pode com a mente que você tinha na época.." E eu hipnotizada com tudo aquilo. E me veio na cabeça a sensação de que as verdades são repetidas até na sessão da tarde. Se há um quê de vulgaridade nisso tudo, há também em mim porque enxergo tudo igual. O fato é que o Sr. Gasparetto, naquela tarde, salvou minha vida. Fã assumida.

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