Travessia

Tuesday, January 24, 2006

O híbrido

Acreditar na poesia.
Eu preciso crer.
A tempestade em mim...
Há tempestade.

Eu queria que este verso me redimisse
e quem sabe um dia
eu me visse assim cicatrizada.

Meu corpo dói, demais.
É que a vida parece vir em ciclos
e nada de me fazer sair do lugar.

Ouço vozes e anseio pelo êxtase salvador.
Salvar a dor em algum pedaço de papel
talvez pudesse me tornar mais leve.

Eu queria profundamente fazer deste poema uma razão de existir.

Uma lança na garganta ameaça o meu desbafo
e há muito sangue.

Alguém me ouve?