Travessia

Friday, October 28, 2005

Invenção

Eu precisava mesmo escrever sobre isso...
"Oh so many illustrations"

é a reicidiva.

ela me disse que encontrou um estranho e que pensou ser você.
me contou q estava sentado e comia.
que tinha a ossatura do rosto acentuada, mas suave.
me perguntou dos seus cabelos, porque os dele eram pretos, intensos.
e me disse que sentou a sua frente e lhe achou familar.

eu inventei uma desculpa qualquer e deixei o quarto onde estava.
tentei beber água. mas doeu.
sentei e liguei a TV. nada, nada.

a vida passou e eu te esqueci pela tarde.

à noite, ainda esquecida, me veio essa lágrima.
então, adormeci.

Wednesday, October 26, 2005

crença

à espreita de algo
que seria um espelho
eu refaço o que nunca fiz
e me julgo experiente de amor.

eu enxergo em outros olhos
a sexualidade que me oprime
e sempre oprimiu a minha família.

como me faltam as antigas certezas...
como me escorrem dos dedos...

e me livro para me escravizar ao vazio
um vazio de nada mesmo-
eu flutuo.

espaço.

romântico este sentimento
que se afasta de mim

eu desejo crer para entender.

Saturday, October 15, 2005

Adios Tristeza (Alfredo Roldan)


Vou te florear os cabelos
E pintar teu sorriso
como se eterno
em meu peito.

Vou te imitar a mágoa
e fazê-la esvair
no córrego doce
da presente solidão.

Vou dizer adeus ao triste
mais triste que existe
e lançar-te no peito
o incansável alento.

Vou inventar tua alegria
e raiar-te todo dia
como se nada fosse vão.

Friday, October 14, 2005

somebody like you

é como se o coração renegasse o primeiro anseio de amor. não, eu não poderia dizer o que sinto e é por isso que minto e tanto sob esta máscara colada no rosto. eu não quero mais sentir. não. nunca mais. dos doces rostos me restou somente a lembrança de sonhos escalpeladores. é nesses dedos cansados que me vejo assim desesperançada, e é através deles que me lanço no vazio de uma vida pra ninguém. a tristeza nunca vai embora. eu queria agora escutar a mais bela canção de amor, como única lágrima-toda mágoa. mas é como se o peito nem existisse direito e este tempo é o tempo que me distrai de tudo quanto for essencial. eu queria a bebida que me levasse como uma nuvem e me deixasse limpa. eu queria o mergulho súbito e a ascensão como se ressuscitada. mas, não, eu não quero nada. só me deixe quieta e me leve embora os pensamentos. que não quero mais encantamento. só o silêncio da estrada nos próprios passos de solidão.
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and I walk as if I were lonely
I walk as if I could only hear my footsteps
and I pray for the rain and the storm to come
I pray like a bird of prey for food
I pray for my own good
I pray as I walk
and I never talk about the things I feel
'cause I simply never feel
what's suppposed to be real
I simply never feel
somebody like you.

Sunday, October 09, 2005

criança

falo

e escuto

e me parece

que essa aparição

foi despiste de solidão.

e existe a menina sedenta,

despida, como se pura esta vida,

como se se falasse demais da prece

que te fiz, ao lançar-me no peito o contradito.

repito-

à exaustão a tua lembrança que jamais

houvera de ser.

criança.

Sunday, October 02, 2005

fulguram nos meus olhos tristes
o ardor de um fogo opaco

e clamam os dedos em carne-viva
pelo amor que se faz cura

a veia da solidão rompeu-se
e jorra o vermelho da amarga felicidade

garante do esplendor liberto
é a velha mulher
que me traveste em esperança.