Travessia

Friday, October 14, 2005

somebody like you

é como se o coração renegasse o primeiro anseio de amor. não, eu não poderia dizer o que sinto e é por isso que minto e tanto sob esta máscara colada no rosto. eu não quero mais sentir. não. nunca mais. dos doces rostos me restou somente a lembrança de sonhos escalpeladores. é nesses dedos cansados que me vejo assim desesperançada, e é através deles que me lanço no vazio de uma vida pra ninguém. a tristeza nunca vai embora. eu queria agora escutar a mais bela canção de amor, como única lágrima-toda mágoa. mas é como se o peito nem existisse direito e este tempo é o tempo que me distrai de tudo quanto for essencial. eu queria a bebida que me levasse como uma nuvem e me deixasse limpa. eu queria o mergulho súbito e a ascensão como se ressuscitada. mas, não, eu não quero nada. só me deixe quieta e me leve embora os pensamentos. que não quero mais encantamento. só o silêncio da estrada nos próprios passos de solidão.
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and I walk as if I were lonely
I walk as if I could only hear my footsteps
and I pray for the rain and the storm to come
I pray like a bird of prey for food
I pray for my own good
I pray as I walk
and I never talk about the things I feel
'cause I simply never feel
what's suppposed to be real
I simply never feel
somebody like you.