O mesmo sentimento que me estupra, assim sem piedade. O mundo há de passar pela minha janela e eu hei de vê-lo em minuciosos detalhes a ponto de fazê-lo meu, em preto e branco. Um vazio que chegar a doer, apesar da eterna repetição dos dias que me salva em sua singular missão. Dói-me o peito e as costas, e por não quero chorar, me repito. não quero ter que dizer adeus. paralisada. Será? não quero ir embora e não quero que tudo se vá. a fé que nunca tive, mas que em algum lugar perdido entre o que passou e o que há de vir está..A fé que imaginava ter em tudo, tão descrente. Um aperto de mãos me salvaria agora, um olhar lúcido ou um copo d'água. Mas eu lá quero me salvar? hei de querer...deixar levar.
Tuesday, August 30, 2005
Feelin' so fuckin' strange...
O mesmo sentimento que me estupra, assim sem piedade. O mundo há de passar pela minha janela e eu hei de vê-lo em minuciosos detalhes a ponto de fazê-lo meu, em preto e branco. Um vazio que chegar a doer, apesar da eterna repetição dos dias que me salva em sua singular missão. Dói-me o peito e as costas, e por não quero chorar, me repito. não quero ter que dizer adeus. paralisada. Será? não quero ir embora e não quero que tudo se vá. a fé que nunca tive, mas que em algum lugar perdido entre o que passou e o que há de vir está..A fé que imaginava ter em tudo, tão descrente. Um aperto de mãos me salvaria agora, um olhar lúcido ou um copo d'água. Mas eu lá quero me salvar? hei de querer...deixar levar.
O mesmo sentimento que me estupra, assim sem piedade. O mundo há de passar pela minha janela e eu hei de vê-lo em minuciosos detalhes a ponto de fazê-lo meu, em preto e branco. Um vazio que chegar a doer, apesar da eterna repetição dos dias que me salva em sua singular missão. Dói-me o peito e as costas, e por não quero chorar, me repito. não quero ter que dizer adeus. paralisada. Será? não quero ir embora e não quero que tudo se vá. a fé que nunca tive, mas que em algum lugar perdido entre o que passou e o que há de vir está..A fé que imaginava ter em tudo, tão descrente. Um aperto de mãos me salvaria agora, um olhar lúcido ou um copo d'água. Mas eu lá quero me salvar? hei de querer...deixar levar.
....
Preciso me dar conta
do que não é preciso.
Preciso saber mesmo
aquilo que ninguém quer.
Preciso enxergar através desta mesma pele,
que agora me parece não ser minha.
Preciso conhecer esta outra, recalcada.
Quem será essa mulher que me espreita do futuro?
Prenuncio os seus sinais nos atos mais falhos,
mas haverá de mesmo vir?
Preciso me dar conta do que sempre fui.
do que não é preciso.
Preciso saber mesmo
aquilo que ninguém quer.
Preciso enxergar através desta mesma pele,
que agora me parece não ser minha.
Preciso conhecer esta outra, recalcada.
Quem será essa mulher que me espreita do futuro?
Prenuncio os seus sinais nos atos mais falhos,
mas haverá de mesmo vir?
Preciso me dar conta do que sempre fui.
Wednesday, August 24, 2005
A paz dos lugares ermos
"Minha mãe me chama, é hora do almoço
que ainda sou bem moço pra tanta tristeza
Deixemos de coisa, cuidemos da vida
senão chega a morte ou coisa parecida
e nos arrasta moço,sem ter visto a vida..."
(Belchior)
__________________________________
No caminho de volta, o caminho mais longo
e incontáveis vozes como companhia.
Eu tenho medo da minha
coragem de animal liberto,
eu temo a minha liberdade.
A palavra errada, a mais errada
eu queria ter como consolo-
Para adentrar a porta de casa,
com meus olhos de noite ansiosos de amor
e tão feridos como se fossem o atropelo em si.
A refeição nossa de cada dia me deu hoje
a paz dos lugares ermos
e meus olhos não puderam chorar.
que ainda sou bem moço pra tanta tristeza
Deixemos de coisa, cuidemos da vida
senão chega a morte ou coisa parecida
e nos arrasta moço,sem ter visto a vida..."
(Belchior)
__________________________________
No caminho de volta, o caminho mais longo
e incontáveis vozes como companhia.
Eu tenho medo da minha
coragem de animal liberto,
eu temo a minha liberdade.
A palavra errada, a mais errada
eu queria ter como consolo-
Para adentrar a porta de casa,
com meus olhos de noite ansiosos de amor
e tão feridos como se fossem o atropelo em si.
A refeição nossa de cada dia me deu hoje
a paz dos lugares ermos
e meus olhos não puderam chorar.
Monday, August 22, 2005
você
Pensamentos estranhos invadem a minha cabeça
e entendo que o mundo é um lugar amistoso
Para quem se encaixa.
Algo de errado no que parece tão perfeito.
Não sei o quê.
O que poderia ser?
Eu não mais acredito
e a cada esquina,
por trás de sorrisos
eu vejo demônios.
Você diria que sou louca
e eu diria que você é chato.
E a vida vai assim, assim
Com este amor errado,
Desesperado por tudo.
Amor traído por si mesmo,
pelas ilusões que construiu.
E você diria que estou cansada
e eu diria que é você quem está.
e entendo que o mundo é um lugar amistoso
Para quem se encaixa.
Algo de errado no que parece tão perfeito.
Não sei o quê.
O que poderia ser?
Eu não mais acredito
e a cada esquina,
por trás de sorrisos
eu vejo demônios.
Você diria que sou louca
e eu diria que você é chato.
E a vida vai assim, assim
Com este amor errado,
Desesperado por tudo.
Amor traído por si mesmo,
pelas ilusões que construiu.
E você diria que estou cansada
e eu diria que é você quem está.
Let me kiss you
There's a place in the sun for anyone
Who has the will
To Chase one and
I think I found mine
Yes I do believe
I have found mine.
So, close your eyes
And think of someone you physically admire
And let me kiss you, oh.
Let me kiss you, oh.
I zigzagged all over America
And I cannot findA safety heaven
Say, would you let me cry on your shoulder
I've heard that you'd try anything twice
Close your eyes
And think of someone you physically admire
And let me kiss you, oh.
Let me kiss you, oh.
But then you open your eyes
And you see someone that you physically despise
But my heart is open
My heart is open to you
Who has the will
To Chase one and
I think I found mine
Yes I do believe
I have found mine.
So, close your eyes
And think of someone you physically admire
And let me kiss you, oh.
Let me kiss you, oh.
I zigzagged all over America
And I cannot findA safety heaven
Say, would you let me cry on your shoulder
I've heard that you'd try anything twice
Close your eyes
And think of someone you physically admire
And let me kiss you, oh.
Let me kiss you, oh.
But then you open your eyes
And you see someone that you physically despise
But my heart is open
My heart is open to you
Sunday, August 21, 2005
Esta saudade
Esta eterna saudade
invade o meu peito
e eu nem sei se direito
este mesmo penar.
esta louca saudade
das tardes, dos livros,
do beijo que sozinha
eu nunca quis dar.
esta hora de agora
este frio de outono
esta voz sem lugar...
esta louca saudade
bem mais que saudade
fui eu que inventei,
mas podia roubar.
De você.
invade o meu peito
e eu nem sei se direito
este mesmo penar.
esta louca saudade
das tardes, dos livros,
do beijo que sozinha
eu nunca quis dar.
esta hora de agora
este frio de outono
esta voz sem lugar...
esta louca saudade
bem mais que saudade
fui eu que inventei,
mas podia roubar.
De você.
Sunday, August 14, 2005
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Ain't got no (I got life)
(Nina Simone)
Ain't got no home, ain't got no shoes Ain't got no money, ain't got no class Ain't got no friends, ain't got no schoolin' Ain't got no wear, ain't got no job Ain't got no man Ain't got no father, ain't got no motherAin't got no children, ain't got no Ain't got no earth, ain't got no water Ain't got no ticket, ain't got no token Ain't got no love I got my hair, I got my headI got my brains, I got my earsI got my eyes, I got my noseI got my mouth, I got my smileI got my tongue, I got my chinI got my neck, I got my titsI got my heart, I got my soulI got my back, I got my sexI got my arms, I got my handsI got my fingers, Got my legsI got my feet, I got my toes I got my liver, Got my bloodGot life , I got my life
Ain't got no home, ain't got no shoes Ain't got no money, ain't got no class Ain't got no friends, ain't got no schoolin' Ain't got no wear, ain't got no job Ain't got no man Ain't got no father, ain't got no motherAin't got no children, ain't got no Ain't got no earth, ain't got no water Ain't got no ticket, ain't got no token Ain't got no love I got my hair, I got my headI got my brains, I got my earsI got my eyes, I got my noseI got my mouth, I got my smileI got my tongue, I got my chinI got my neck, I got my titsI got my heart, I got my soulI got my back, I got my sexI got my arms, I got my handsI got my fingers, Got my legsI got my feet, I got my toes I got my liver, Got my bloodGot life , I got my life
Queria dizer dizer a verdade, mas então eu me lembro de que nada é sinceridade. E revejo as mesmas paredes sem vida me observando e insistindo para que não parta daqui. Recordo os dias que nunca vivi, e os vejo tão nítidos que me escapam dos olhos. Eu não existo. Esta vida não existe. É como se manter em cativeiro um animal selvagem, mais cedo ou mais tarde, ele destrói tudo ao redor...mas conseguirá ser ele livre algum dia? Eu sinto falta de mim, tanto e tanto que já não caibo mais no meu peito...As cicatrizes enxutas me ameaçam...eu queria ser capaz de chorar, mas não sou mais. O que lamento é o que nunca ganho no que perco, ou que perco no que ganho ou quem sabe eu não lamente nada. Eu não lamento. Extamente. Eu só sigo em frente. A vida há de ser diferente...somewhere over the rainbow...over me..I'm not over me. Então, deparo-me com esta caricatura, que me vem dizer de seus olhos e vejo o quanto sou feliz. Sufocantemente feliz. É a felicidade que me mata dia após dia e a sua saudade que virá. Eu quero tudo aqui dentro e quero mais onde houver um mundo real. Alucinações. As paredes brancas se movem, os dedos, próprios de si, libertam-se nas palavras que não escrevo. O que eu quero? Eu, ser imanentemente livre...Like moz, I've changed my plea to guilty and freedom and love is a waste. Não, nunca é. O amor escraviza tanto quanto a liberdade. Não quero ser livre, sequer escrava. Eu quero a sorte de um amor medonho.
Thursday, August 11, 2005
Muralha
Tenho aprendido. Tanto, de tanta coisa. Aprendi sobre o silêncio e a independência das pessoas. Sobre o vento e as manhãs. Sobre a inevitabilidade e a possibilidade de tudo ser o que é. Aprendi que a mágoa cose os pontos da minha vida, perpassando os sentimentos- arremate fundamental. Aprendi que ela me exige quando quer e que quando vem, tenho de ficar quieta, até silenciarem as milhares de vozes, até esquecer que tudo é sempre novo e urgente. Até que ela finalize o seu minucioso trabalho e me deixe no corpo as cicatrizes. A mágoa age como franco-atiradora, invisível guerrilheira e me ataca aonde quer que esteja. Ela vem no meio da rua, das pessoas, no meio da alegria, que sempre permanece em mim. E, acuada, corro, procuro esconderijo e espero. Tenho aprendido que ela, como os meus meninos, sempre me diz adeus. Mas volta. E tão forte, e tão dona de si, que destrói diques, barricadas, cercas e muros. Me mostrando toda violência da minha liberdade, todo poder de toda vida. Segundos, frações de tempo, eternidades. Ela parte. Deixando em mim toda sua fortaleza de navio.
Tuesday, August 09, 2005
PAST
"Past is a strange place..."
(morrissey)
tempo que se conta
como história.
vida que se vela.
vazio e toda a liberdade.
verdade.
(morrissey)
tempo que se conta
como história.
vida que se vela.
vazio e toda a liberdade.
verdade.
Saturday, August 06, 2005
amor
"When I drink more than I ought drink/ I do things I never should/I drink much more than I ought drink because it brings me back you..."
Lágrima solta
espaço curvo
asfixia
vc não sabia
mas eu sinto ainda
amor
Lágrima solta
espaço curvo
asfixia
vc não sabia
mas eu sinto ainda
amor
Thursday, August 04, 2005
Maternidade
" Faço longas cartas pra ninguém.."
Eu retorno com tanto aqui pra dizer e desta vez quero ser bem explícita, descarada. Mas não consigo. A minha dor travestida lançou mão de um outro véu, para que eu nunca soubesse. A desimportância disso tudo me clareou os sentidos: - é tudo, tudo desimportante. E desta vez, queria poder não me contradizer, mas sou escrava de abstrações. Desde o mais tenro conselho, aquele, vindo "das coisas que aprendi nos discos" ou nos livros tão significativos, o que me sussurrou ao ouvido:- elimine as circunstâncias, ou as faça as mais particulares que puder.
E condenei-me ao extremo, sendo, ainda assim, metade, meio caminho, porque eu sou meio mesmo: pente que a velha rainha guarda entre os livros, revistas que enrola e deixa assim pela casa, resto de pão que se encontra, absurdo, no meio das roupas da gaveta.
Mas disse que vim para ser explícita, eu jurei. E cumpro a promessa. Hoje fui ao cinema e vi um menino. Maternidade. Finalmente, eu compreendi. É ali onde tudo começa, não? E começa porque as pessoas mais amadas começam a dizer adeus. Assim, numa despedida infinita, elas vão nos dizendo que estão partindo. Então, a mulher inventa a luz em si mesma. Para não ficar só, para igualmente dizer adeus. Egoísticamente. Peso. Me perdoem, sou louca. Ou vai ver que sou eu é quem parto, que estou sempre partindo. Eu sempre fui mãe.
Tuesday, August 02, 2005
RISCO DE VIVER
“DEAR PRUDENCE,
WON’T COME OUT TO PLAY...”
Não faças perguntas,
Nem duvides do amor...
Não desperdice o dia,
Que o dia é bonito,
Apesar da tua dor.
Não tentes ler o novo,
Que o novo não existe,
Sequer o velho-
O que há é somente o que somos.
Não me dê a tua mão,
Nunca peça perdão,
O erro é o acerto.
Não me deixe sozinho
E me deixe bem só,
Que eu só vivo assim
Porque vivo.
Me diga bom-dia e obrigado
quando eu estiver indo embora.
Me leve agora,
Que cá não estou,
Me leve e me mostre
Todo risco que é viver.
WON’T COME OUT TO PLAY...”
Não faças perguntas,
Nem duvides do amor...
Não desperdice o dia,
Que o dia é bonito,
Apesar da tua dor.
Não tentes ler o novo,
Que o novo não existe,
Sequer o velho-
O que há é somente o que somos.
Não me dê a tua mão,
Nunca peça perdão,
O erro é o acerto.
Não me deixe sozinho
E me deixe bem só,
Que eu só vivo assim
Porque vivo.
Me diga bom-dia e obrigado
quando eu estiver indo embora.
Me leve agora,
Que cá não estou,
Me leve e me mostre
Todo risco que é viver.
Monday, August 01, 2005
Raridade
Noite.
Raridade de instante.
Eu esqueço.
-Da bolsa nova,
do livro que tanto preciso ler,
do rastro infinito
latente nas gavetas-
E me despeço das relíquias...
Hei de confiar somente na memória.
Mas é como se houvesse vivido desde sempre
o mesmo instante,
o mesmo dia-
silêncio.
Vida dadivosa.
Raridade de instante.
Eu esqueço.
-Da bolsa nova,
do livro que tanto preciso ler,
do rastro infinito
latente nas gavetas-
E me despeço das relíquias...
Hei de confiar somente na memória.
Mas é como se houvesse vivido desde sempre
o mesmo instante,
o mesmo dia-
silêncio.
Vida dadivosa.
Manso
Gato manso
me conversou com os olhos
e ficou assim me vigiando,
lendo os meus sinais
e a minha vida -
no cigarro inexperiente,
na bebida tão amiga...
Fez-se ali, diante de mim
e não disse nada
no silêncio mais sedutor.
Delatora hesitação,
e ele me sorriu
Para que a violência delicada nos redimisse-
Por uma noite inteira.
me conversou com os olhos
e ficou assim me vigiando,
lendo os meus sinais
e a minha vida -
no cigarro inexperiente,
na bebida tão amiga...
Fez-se ali, diante de mim
e não disse nada
no silêncio mais sedutor.
Delatora hesitação,
e ele me sorriu
Para que a violência delicada nos redimisse-
Por uma noite inteira.
